latido


latem
esses
que são cachorros,
já por volta de 00:59
param os mesmos
trocam ideias
veem espíritos
latem pra madrugada
que de tão silêncio
se faz barulho
e
um ralo devorando o latido
submerso no organismo
do mendigo
esse,
dono da alvorada
com os lobos em cima de suas latas,
companheiros
de outras vidas
essas que já foram
esquecidas
agora
um latido


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latido

são tempos

horas
segundos

espera
que uma hora
a roda fecha
tudo de mão dada

as cores permitem 
devoção
aos olhos

o pincel manuseia, 
emoção

paro de pensar 
quando entro numa camada
intocável

sem calculo, sem hora
– senhora?
– onde estava?

pairei, 
vomitei o sopro no nanquim,
pro sábia de misericórdia

– córdia, sabia?
– árvore que tem família,
sabiá té passou lá

saudade da voz,
não se demore com saudade
pois demora só faz repouso

são tempos

sem com

sem                    canábis 
com parcimônia de nada
sem                        pinga
com caotismo 
sem                        barco
com mar
sem             insuficiência 
com atitude
sem                   grandeza 
com pequeneza 
sem                orientação
com variação
sem               entrevação
com                   quietude 
                 da madrugada 
 
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sem com